Saudosa Barbearia Trailer
(versão dramática em RáTás-NáBá)
Se o sinhô num tá lembrado,
Dá licença pra eu contar…
Que aqui, onde agora brotou
Esse pátio frio, sem nada ou salto,
Era só um canto simples,
Nosso trailer meio torto,
Mas cheio de esperança e navalha afiada,
Nosso templo abandonado…
Foi aqui, seu moço,
Que eu, o Zé Navalha e o Tonhão,
Levantemo nossa Barbearia Trailer
Na raça, no suor, na fé do pão.
Mas um dia — ai, nem quero lembrar —
Veio o povo da prefeitura
Com papel na mão e peito duro,
Dizendo que o Prefeito
Mandou derrubar tudo.
Peguemo nossas tesoura,
Nossas capa, nossas cadeira,
E ficamo ali, perdidos,
No meio da rua poeirenta,
Assistindo a demolição.
Que tristeza eu senti…
Cada chapa que caía,
Cada lata que amassava,
Parecia que era um sonho
Sendo esmagado no chão.
Tonhão quis protestar,
Quis berrar contra a injustiça,
Mas eu falei baixinho:
“Os homem tão com ordem lá de cima,
Nós vai ter que procurar outro lugar…”
Mas só sossegamo mesmo
Quando o Zé Navalha murmurou:
“Deus dá o fio conforme o barbeador…
E dá força pra nóis recomeçar.”
E hoje, nóis varre a paia
Nas grama seca do jardim do prédio novo,
O mesmo prédio que ocupa o nosso ontem,
E pra num deixar o peito explodir,
Nóis canta assim:
**Saudosa barbearia, barbearia querida,
Dim-dim, onde nóis viveu o ganha-pão da nossa vida…**
Saudosa barbearia, barbearia querida,
Dim-dim, onde nóis fez sorriso e corte
Pra tanta gente da vila…
Saudosa barbearia, barbearia querida,
Dim-dim, onde nóis segurou família
Com tesoura, fé e lida…
Saudosa barbearia, barbearia querida…
Obs.: Qualquer semelhança é mera consciência...
Nenhum comentário:
Postar um comentário